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Sonho
Inerte
Que me acomete
Estático
Insone
Sonho
Vivo
Desperto
Tão longe
Tão perto
Sonho
Diurno
Passivo
Saturno
Abstrato
Irreal
Surreal
Real
Sonho
Sempre julguei Caetano Veloso como um a cara que sente intelectual demais,chato demais, tremido demais, velho demais, mais depois de ouvir e saborear um cd dele descobri que se ele é intelectual ou um "pseudo-intelectual de miolo mole" como disse José Guilherme Merquior, não interessa, mais o que interessa é que algumas músicas são completas obras primas.
Vou colocar aqui uma delas, aliás a minha favorita do CD:
Não quero sugar todo seu leite
Nem quero você enfeite do meu ser
Apenas te peço que respeite
O meu louco querer
Não importa com quem você se deite
Que você se deleite seja com quem for
Apenas te peço que aceite
O meu estranho amor
Ah! Mainha deixa o ciúme chegar
Deixa o ciúme passar e sigamos juntos
Ah! Neguinha deixa eu gostar de você
Prá lá do meu coração não me diga
Nunca não
Teu corpo combina com meu jeito
Nós dois fomos feitos muito pra nós dois
Não valem dramáticos efeitos
Mas o que está depois
Não vamos fuçar nossos defeitos
Cravar sobre o peito as unhas do rancor
Lutemos mas só pelo direito
Ao nosso estranho amor
"Por onde ando sempre há vida
Tenho sempre o céu como testemunha
E o ar como cúmplice dos meus atos e pensamentos"
Ele entra pela porta e seu olhar não é o mesmo.
Não é o olhar de sempre, há um quê de desespero que torna nublado seu olhar sempre azul como céu limpo de inverno.
Para o desespero dela, aquele olhar transmite o desespero dele.
Ele passa por ela e vai para o quarto, mudo, com andar automático e com aquele olhar.
Por um milésimo de segundo ela pensa em mudar sua decisão, aquele olhar a faz se sentir a última das mortais sobre a face da Terra a espera do seu julgamento durante o juízo final.
Mais ela resiste, é a sua lei, o tempo dele tinha chegado ao fim, ela não poderia voltar atrás.
Da porta do quarto ela o vê no banheiro pelo reflexo do espelho, ele pega a escova de dentes e novamente ela vê seus olhos nublados.
Sua garganta trava, ela não vai chorar, ela sabe que não vai, não é primeira vez que acontece, mesmo sendo a primeira vez que vê um olhar tão desolado.
Ele junta as roupas, fecha a mala, olha ao redor.
Ela sai.
Ela não quer ver aqueles olhos, ela não quer se perder na nebulosidade deles.
Ele sai do quarto, como muitos outros já saíram, a lei estava sendo cumprida mais uma vez.
A mala, o silêncio, tudo como sempre, porém, os outros não tinham aquele olhar.
Ele se aproxima, ela pensa em falar algo, mais ela nunca disse nada, nunca era necessário, mais ela pensa em falar, falar para assim evitar aquele olhar.
O silêncio.
Ela desvia o olhar, mais ele delicadamente a ergue a cabeça segurando-a pelo queixo e o inevitável acontece, seus olhos se cruzam.
Ela procura o olhar de céu-azul-de-inverno (porque no inverno o céu fica muito azul e nenhuma nuvem aparece para escondê-lo), aquele olhar não existe mais. Existe no lugar um olhar nublado, desesperado, dissimulado, mas, com a mesma capacidade de enxergar sua alma, por isso ela o escolhera na multidão.
Ele a olha nos olhos e se vira deixando sobre a mesa de centro as chaves.
E sai, sem olhar para trás.
Ela o vê transpor a porta, silenciosamente como todos os outros e pela primeira vez ela chora.
O vento sopra a nuvem
que corre no céu
numa só direção
O vento sopra a árvore
que balança como ao som
de uma canção
O veículo sobre o calçamento
sonora locomoção
O tempo passa no relógio
correndo evolução
Já dizia o poeta: “Que seja eterno enquanto dure.”.
Modo estranho de avaliar o amor. Atitude tão pessimista começa já com o desfecho presumido de que vai acabar. Por que não pode ser diferente? Penso que é por isso que o mundo está como está, porque de um modo geral não existe amor, existe uma troca de interesses, uma troca, nada mais.
Uma troca, como se troca de roupas e de bocas. Troca-se tudo, o útil pelo o agradável, o agradável pelo útil, na maioria das vezes. O bom pelo mais ou menos, o novo pelo velho e vice-versa, troca-se tudo.
Tem pessoas que dizem que o que vale é a quantidade, não a qualidade, outras já prezam pela excelência, só que nem se sabe ao certo que tipo de excelência é essa. Acredito que amar é um exercício de paciência. Como disse São Paulo aos Coríntios: “O amor é paciente, benevolente e não é invejoso.”
O amor de um modo geral,(não só o amor de um cara pela garota, ou o de um cara pelo seu cachorro, carro , moto, etc...), é complicado de ser exercido, simplesmente porque a maioria das pessoas não se amam, a maioria das pessoas não se conhecem, como uma pessoa pode amar outra, se ela não consegue amar a si própria.
Mais também existem aqueles que amam, e como amam a si mesmos esses também podem não saber amar aos outros pelo simples fatos de se acharem irresistíveis e que ninguém pode ter o privilégio de serem amados por eles, já que estes se julgam bons demais para se dar ao luxo de serem amados por um ser inferior.
Não sei se amo, mais sei que quero amar.
Como diz outro poeta:
“Procuro um amor que ainda não encontrei
Diferente de todos que amei ...
Pode ser que eu o encontre numa fila de cinema
Numa esquina ou numa mesa de bar ...
Procuro um amor que seja bom pra mim
Vou procurar
Eu vou até o fim”
“Nesse momento há 6 bilhões, 470 milhões, 818 mil, 671 pessoas no mundo.
Algumas estão fugindo assustadas...
Algumas estão voltando para casa...
Algumas dizem mentiras pra suportar o dia.
Outros estão somente enfrentando a verdade agora...
Alguns são maus indo contra o bem e alguns são bons lutando contra o mal...
6 bilhões de pessoas no mundo...
6 bilhões de almas... e às vezes tudo o que precisamos é apenas UMA!"
*Enlatados americanos não são de todo ruins, às vezes surgem umas pérolas, e eu adooooro.